A Vida de Chuck (2024)
Direção: Mike Flanagan

Mike Flanagan entrega em A Vida de Chuck um filme que conversa mais com a alma do que com a mente. Para mim, ele explora como poucos as sensações de viver a vida, com toda a sua beleza, suas dúvidas e suas pausas, e como, mesmo carregando incertezas, precisamos seguir adiante.
A história de Charles Krantz, contada de trás para frente, da morte ao nascimento, é uma espécie de espelho invertido que nos obriga a olhar para o que normalmente evitamos: o fim. Há momentos que soam como um clichê, mas, curiosamente, a originalidade nunca se perde. É um clichê honesto, que abraça a simplicidade de dizer que viver vale a pena, sem medo de parecer óbvio.
Algumas cenas são puro gatilho para quem é questionador sobre o viver. A sequência de dança, por exemplo, é um momento de liberdade tão puro que parece desafiar a própria mortalidade. Já na infância de Chuck, com o avô interpretado por Mark Hamill, o filme encontra seu coração emocional: ali, cada gesto, cada silêncio, carrega um mundo de significados.
Visualmente, Flanagan alterna entre o frio dos ambientes hospitalares e a luz cálida das lembranças, reforçando a sensação de que cada momento tem um peso próprio. A estrutura fragmentada pode afastar emocionalmente em alguns trechos, mas há sempre algo que nos puxa de volta: um olhar, uma frase, um detalhe visual.
É um bom filme. Sincero, melancólico e esperançoso. Um lembrete de que a vida é breve, imperfeita e ainda assim merece ser dançada até o último acorde. Apesar disso, saí da sessão com vontade de ver mais dos personagens ao redor de Chuck. Há histórias ali que mereciam mais tempo de tela.
No fim, A Vida de Chuck é uma obra que, mesmo sem dar respostas, deixa as perguntas ecoando. E é justamente nelas que a vida continua.
